Os maiores períodos sem torcida nas arquibancadas da Fonte Nova

O hiato provocado pela pandemia foi o segundo maior período sem que a torcida tricolor pudesse pôr os pés nas arquibancadas da Fonte Nova

Foto: Arquivo Pessoal / Montagem Info Bahêa


Fonte Nova, 7 de março de 2020. Uma tarde/noite atípica movimentava a torcida do Bahia, que assistiria a dois jogos do clube no mesmo estádio, separados por um intervalo de uma hora. No primeiro jogo, triunfo da equipe principal por 1 a 0 diante do Confiança. Mais tarde, era a vez da equipe de transição enfrentar o Doce Mel pelo Campeonato Baiano. O empate em 0 a 0, ainda que decepcionante, não chegou a abater os quase 30 mil torcedores que foram à Fonte naquele sábado festivo.


O que ninguém sabia é que a atipicidade daquele momento não era só por conta da rodada dupla. A pandemia do Coronavírus se alastrava pelo mundo e, pouco tempo depois, obrigaria o futebol a parar também no Brasil. O Tricolor só voltaria a entrar em campo 4 meses depois, mas ainda sem a presença de seu torcedor.


Fonte Nova, 12 de outubro de 2021. 584 dias se passaram desde a rodada dupla que marcou o último jogo do Esquadrão com público em Salvador. Tentando fugir da zona de rebaixamento, o time comandado por Guto Ferreira comandou as ações, mas não conseguiu sair do empate em 0 a 0 diante do Palmeiras. Com diversos protocolos a serem seguidos por conta da pandemia, o público foi pequeno: pouco mais de 4,5 mil torcedores.


O hiato provocado pela pandemia foi o segundo maior período sem que a torcida tricolor pudesse pôr os pés nas arquibancadas da Fonte Nova. Inaugurada em 1951, a principal casa do Esquadrão já passou outros momentos afastada de seu público mais fiel.


Assim como na rodada dupla, os torcedores que foram à Fonte Nova em 25 de novembro de 2007 também não sabiam que aquele seria um dia de despedida. O grave acidente ocorrido no final do jogo contra o Vila Nova, que vitimou 7 tricolores, fechou o estádio por 1.960 dias. Em 2008, o clube mandou seus jogos em Camaçari e Feira de Santana, até que a reforma de Pituaçu fosse concluída, no início de 2009. O local serviu de casa para o Bahia até 2013, quando uma nova Fonte Nova foi inaugurada. Foi o maior período sem que o torcedor pudesse ir à Fonte.


Ao final de 1994, o Bahia disputou as quartas de final do Brasileirão contra o Palmeiras na Fonte Nova, antes de ser eliminado no jogo de volta, em São Paulo. Depois dali, o estádio foi fechado para uma longa reforma de quase um ano. Os três primeiros jogos de 1995 ocorreram em Camaçari e Feira de Santana. Depois, pela primeira vez, o Bahia passou a mandar seus jogos em Pituaçu regularmente. Assim como em 2021, o reencontro da torcida tricolor com a Fonte Nova ocorreu em um feriado de 12 de outubro, 316 dias depois do fechamento. O estádio já havia sido reinaugurado um dia antes, num amistoso entre Brasil e Uruguai.


Em 23 de novembro de 1969, o Bahia disputou seu último jogo naquela que foi a primeira formatação da Fonte Nova, com apenas um anel. O clube ficou longe de sua casa durante 466 dias para a construção do anel superior. Durante 1970 e parte de 1971, o Bahia mandou a maioria de seus jogos no Campo da Graça. O amistoso contra o Alianza Lima em fevereiro de 1971, inclusive, marcou a despedida definitiva do Bahia daquele que foi seu primeiro lar. Já os jogos como mandante no Robertão de 1970 ocorreram no Batistão, em Aracaju, com exceção da partida contra o Grêmio, que foi transferida para Maceió. A reinauguração da Fonte Nova, numa rodada dupla que envolveu Bahia x Flamengo e Vitória x Grêmio, ficou marcada por muita confusão, provocando a morte de duas pessoas e muitos feridos.